A infiltração guiada por ultrassom é a aplicação de medicamento dentro da articulação, da bursa ou ao redor de um tendão com a agulha acompanhada na tela em tempo real. No ombro e no cotovelo, a precisão muda o resultado: a bursa subacromial, a articulação glenoumeral e a bainha do bíceps são alvos pequenos, e a injeção às cegas erra com frequência.

No consultório do Dr. Bernardo Catão Queiroz, em Belo Horizonte, o ultrassom faz parte do exame e do tratamento: o mesmo aparelho que mostra a lesão guia a agulha.
Para quais problemas a infiltração é indicada
- Bursite e tendinopatia do manguito rotador que não cedem à fisioterapia
- Capsulite adesiva na fase dolorosa, com injeção intra-articular ou hidrodilatação
- Artrose do ombro e do cotovelo, para controle da dor
- Tendinite calcária, com lavagem e aspiração da calcificação guiadas por ultrassom
- Epicondilite persistente, com infiltração ou tenotomia percutânea
- Dor da articulação acromioclavicular e tenossinovite do bíceps
O que pode ser injetado
Corticoide com anestésico
O mais usado. Reduz a inflamação em poucos dias e o efeito dura de semanas a meses. Pela ação sobre o tendão, o número de aplicações é limitado, em geral a três por ano no mesmo local.
Ácido hialurônico
A viscossuplementação lubrifica a articulação com artrose. A resposta é variável no ombro, e a indicação é discutida caso a caso.
Ondas de choque
Não é injeção, mas faz parte do mesmo arsenal: ondas acústicas aplicadas sobre o tendão, úteis na tendinite calcária e na epicondilite que não respondem aos exercícios.
Bloqueio do nervo supraescapular
Anestésico ao redor do nervo que leva a dor do ombro, usado em dor intensa da capsulite e da artrose e no pós-operatório.
Como é feito o procedimento
A pele é limpa, a região é anestesiada e o transdutor do ultrassom mostra o alvo. A agulha entra no plano do feixe e é vista do começo ao fim até o depósito do medicamento. Leva poucos minutos, sem internação e sem jejum. O paciente sai andando e dirige sem problema.
Depois da infiltração
Pode haver aumento da dor nas primeiras 24 a 48 horas, controlado com gelo e analgésico comum. O efeito pleno chega entre o terceiro e o sétimo dia. A fisioterapia é retomada em seguida, porque a infiltração abre a janela de alívio em que a reabilitação rende mais.
Diabéticos devem monitorar a glicemia por alguns dias após o corticoide. Em quem tem prótese no ombro, infiltração só com avaliação individual, pelo risco de infecção.
Limites: o que a infiltração não faz
Ela não recoloca um tendão rompido nem refaz cartilagem. Em rupturas completas do manguito com fraqueza, em instabilidade e em artrose avançada, a infiltração controla a dor enquanto se decide o tratamento definitivo, mas não substitui a cirurgia quando ela é indicada.
Perguntas frequentes sobre infiltração guiada por ultrassom
Infiltração no ombro dói?
A pele é anestesiada e a agulha segue o caminho mais curto, visto no ultrassom. A maioria descreve pressão, não dor. Pode haver desconforto por um ou dois dias, que o gelo resolve.
Quantas infiltrações posso fazer no ombro?
Com corticoide, em geral até três no mesmo local em um ano, com intervalo mínimo de seis a oito semanas. Ácido hialurônico e bloqueios têm regras diferentes, definidas em consulta.
Por que guiar por ultrassom se o médico sabe a anatomia?
Porque mesmo mãos experientes erram o alvo às cegas em uma parte considerável das vezes no ombro, principalmente na bursa e na articulação. Com imagem, a aplicação é confirmada e o resultado fica mais previsível.
A infiltração enfraquece o tendão?
Corticoide repetido no mesmo tendão pode enfraquecê-lo, por isso o número de aplicações é limitado e a injeção é feita na bursa ou na articulação, não dentro do tendão.
Fontes e leitura complementar
- Shoulder Pain and Common Shoulder Problems, OrthoInfo, Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (em inglês)
- Shoulder pain, NHS, serviço de saúde britânico (em inglês)
- Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)